terça-feira, 19 de janeiro de 2010

MAIS UM ANO PARA AVALIARMOS O DESEMPENHO DOS NOSSOS GESTORES

Enquanto alguns clubes do Sul do país são exemplos de gestão, principalmente no campo do futebol, os clubes do Nordeste ainda se arrastam na tentativa de implementar uma gestão eficaz, que vá além de boas intenções e sonhos. Mesmo aqueles clubes do N/NE que acreditam ter uma gestão de primeira, ainda devem muito no sentido de buscar meios para enfrentar a desproporção econômica entre as regiões do país. Falta união entre os clubes do nordeste, faltam ações de médio e longo prazo, para que os clubes do nordeste voltem a ter força e expressão no cenário nacional.
A tendência é que o futebol se organize e as entidades sejam cobradas, quanto a sua idoneidade e clareza na gestão. Assim como em outros ramos de atividade, os clubes que não tiverem certificados de idôneos, estando em dia com a Receita, Impostos, nome fora do SPC dentre outras regularidades, perderão espaço no mercado e conseqüentemente estarão mais longe do sucesso.
Infelizmente, o atual Campeão brasileiro, é um mau exemplo quanto à gestão e regularidades. Levado pela grande popularidade e apoio das mais diversas partes, o Mengo chegou ao título nacional com uma dívida de quase 500 milhões. Claro que no futebol nem tudo é estrutura e é por isso que o futebol encanta, devido as surpresas. No entanto, essa não tem sido a regra, os times que estão sempre na "cabeça", tem sido aqueles mais estruturados e planejados, São Paulo, Internacional, Cruzeiro, dentre outros. Pensando nisso, os clubes do N/NE devem correr atrás do tempo perdido para não ficarem apenas na esperança de ser uma surpresa em um ou outro campeonato e correndo riscos de uma decaida a todo instante.
Os clubes de futebol têm que concentrar seus esforços na atividade fim, as imensas torcidas do N/NE abraçam ano a ano seus clubes e são desiludidos com um final ruim em relação as suas expectativas. Não adiantam projetos de marketing maravilhosos, planejamentos ousados e apelos as torcidas se o Futebol não estiver bem.
O time é a empresa, o torcedor é o cliente apaixonado e fiel, cenário propício para o sucesso, mas se o produto principal, futebol, não for bom, nada feito! O cliente volta para casa e demora de retornar, vai se afastando do clube e não acredita mais na sua diretoria que ano após ano, promete, promete e volta a cometer erros que frustram as expectativas do seu cliente.
Mais um ano começa e mais uma vez o torcedor vai avaliar se o futebol será produzido com mais qualidade pelos seus clubes.
Na próxima matéria falarei especificamente de Gestão Estratégica nos clubes de futebol, com exemplos de clubes, no Brasil e no mundo, que passaram a pensar antecipadamente os impactos que suas decisões e ações presentes têm no futuro.

sábado, 9 de janeiro de 2010

PANORAMA DO CAMPEONATO BAHIANO

Em comentário anterior, já afirmei que os campeonatos estaduais, com exceção do campeonato paulista e, talvez, o do Rio de Janeiro, são, atualmente, no plano financeiro e técnico, prejudiciais aos clubes. Esses prejuízos são maiores no norte e nordeste, pelos motivos que, então, também explicitei.
Entretanto, é fato concreto que o campeonato bahiano está aí, próximo a iniciar, e a imprensa especializada tem se esforçado bastante para valorizá-lo, o que é louvável, pois será preciso com ele conviver nos próximos três meses, sendo importante que os clubes - não só Bahia e Vitória, mas também os demais - consigam nele demonstrar um nível técnico que atraia os torcedores. Afinal, ainda que não tenha a magnitude e importância de anos atrás, os títulos estaduais ainda têm alto significado para a maioria dos torcedores e parte da imprensa esportiva. E, é bom também lembrar, é nele que mais se agita a rivalidade entre Bahia e Vitória.
Penso que o Vitória continua como favorito. É tricampeão, é o time da série A, tem boa estrutura e uma base de time bem razoável, feita em 2009. Foi, até aqui, modesto nas contratações, mas pode surpreender, caso o título fique em risco. A impressão que se tem é que o Vitória está, no momento, poupando-se financeiramente, para ter melhor poder aquisitivo mais próximo do campeonato brasileiro. Creio que lá pelo final de fevereiro, início de março, ou antes, se preciso, o Vitória irá abrir os cofres e mostrar sua capacidade financeira de time de série A, lugar em que, seguramente, pretende permanecer.
O Bahia, por sua vez, está se movimentando. Melhorou muito sua estrutura e parece contratar com mais cuidado, embora com olho também no marketing (vide Edilson). Com as contratações que já fez, se corresponderem as expectativas, e ainda sinalizando para mais duas, pode formar um bom time, que dificulte para o Vitória manter-se como favorito. Embora seja o clube com maior número de conquistas estaduais, no momento o Bahia precisa desse título mais que o rival rubro-negro, uma vez que, há sete anos, não o conquista, fato inédito em sua história. Tem, portanto, uma motivação extra.
Quanto aos demais times, todos do interior, penso que o Conquista e o Fluminense de Feira são os que têm maiores possibilidades de surpreender, tirar pontos de Bahia e Vitória e com eles disputar as fases finais da competição. Vêm com uma base já formada, fizeram boa campanha no ano passado e têm gerado boas expectativas junto a imprensa esportiva.
Num segundo bloco de times interioranos, coloco o Itabuna e o Atlético de Alagoinhas. Talvez o Colo-Colo. Estão se esforçando para contratar e formar times que, ao menos, garanta participação na segunda fase do campeonato.
Os demais, somente por inesperada e positiva surpresa poderão conseguir algo. O Madre de Deus ("sucursal" do Bahia?!) junto com o Ipitanga, Camaçari, Feirense e Bahia de Feira acredito que irão lutar para não disputar o "torneio da morte" (entre os dois últimos colocados de cada grupo, na primeira fase). Não sinalizam que deles se possa esperar muito.
A forma de disputa do campeonato, neste ano, é que pode trazer surpresas, pois a primeira fase é relativamente curta (apenas 12 jogos), o quê não permite grandes tropeços, pois não haverá tempo para recuperação e passagem para a fase seguinte, para a qual só quatro de cada grupo se classificam. E, depois da segunda fase de grupo (com apenas quatro times) , vem a fase final de "mata-mata". Há quem acredite e até aposte que, com esse forma de disputa, a final não será Ba x Vi. Será?!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

BAHIA, ANO DECISIVO EM 2010

O ano começa e as expectativas em torno do Bahia são grandes. Parece-me ser um ano realmente decisivo, em que o Bahia ou mostrará o seu efetivo poder de recuperação ou se consolidará como clube pequeno, no plano nacional.
Até o final dos anos 80, do século passado, era possível a um clube de futebol obter algum êxito, ainda que com uma gestão personalista, amadora e com improvisações. Naquele período e com uma administração assim, o Bahia se deu bem e até conquistou um título do Brasileiro, além de, 20 anos antes, uma Taça Brasil. Além de inúmeros e sucessivos títulos estaduais. Conquistas, portanto, que destacavam o clube no cenário nacional e permitiam antecipar um fortalecimento futuro.
Entretanto, não foi o que aconteceu.
A partir dos anos 90, o futebol, mais que nunca, foi inserido na indústria do entretenimento e passou a movimentar quantias vultuosas, com ousadas estratégias de marketing e negócios, estimulados pela rica Europa, que inflacionou consideravelmente o mercado da bola.
Esse novo cenário passou a exigir dos clubes gestão profissional, planejamento, capacidade de captar recursos, enfim, uma estrutura administrativa e processos decisórios de uma empresa de grande porte.
O Bahia não acompanhou essa realidade. Continuou com gestão personalista, com dirigentes improvisados e sem especialização nos negócios do esporte, além de absoluta incapacidade de transmitir credibilidade para captar investidores. Sem falar da total falta de transparência.
A consequência inevitável, também agravada pelo atual modelo de organização do futebol brasileiro, foi o Bahia passar para um plano inferior no futebol nacional e também no futebol bahiano, onde reinou desde 1931, e cedeu a hegemonia que tinha para o Vitória.
Os últimos 15 anos contam bem essa história. De 1995 para cá, o Bahia teve dois rebaixamentos para a série B (1997 e 2003), um rebaixamento para a série C (2005) e venceu apenas os campeonatos bahianos de 1998, 1999 (este dividido com o Vitória, após desastrada manobra da diretoria tricolor) e 2001. E, como destaques maiores, apenas a conquista da Copa Nordeste de 2001 e 2002 e o acesso, em 2007, da série C para B (se é que isso pode se considerar destaque).
Ou seja, o Bahia há 7 anos não disputa a série A do campeonato brasileiro e há 8 anos não vence o campeonato bahiano. Está, assim, em um patamar bem mais baixo que 20 anos atrás. É um clube apequenado. Grandiosos permanecem somente o seu hino, sua torcida e sua história.
É imperioso, pois, reerguer-se já. Não há mais tempo para espera, pois a dinâmica do futebol e dos negócios hoje em dia é cruel: quem não se organiza e cresce permanentemente está destinado ao fracasso, às divisões inferiores, ao esquecimento.
Infelizmente, não se enxerga ainda, no Bahia de hoje, uma administração organizada, uma mobilização eficiente para estruturar, planejar e captar recursos para o clube, que possibilite, de forma sustentada, assegurar seu crescimento, seu retorno aos melhores dias.
Contratou um técnico de expressão nacional, embora polêmico (Renato Gaúcho) e parece depender dele para conseguir jogadores (ainda que de média qualidade técnica) e recursos. A direção do clube - e não o técnico que a ela esta subordinada - é que deve mostrar capacitação e os predicados que o Bahia precisa para voltar a crescer. Não apenas o técnico, que, inevitavelmente, terá sua permanência vinculada diretamente a resultados imediatos.
Estou observando e torcendo, pois o futebol às vezes surpreende, positiva e negativamente. Espero que, mesmo sem gestão e estrutura adequadas, o Bahia consiga, em 2010, se impor no bahiano e na série B, para, a partir daí, tentar consolidar sua recuperação. Se fracassar mais um ano, seguramente irá aprofundar sua crise e longa agonia, mantendo-se, no plano nacional, como um clube menor e decadente.