domingo, 25 de outubro de 2009

AS SÉRIES A E B DO BRASILEIRÃO


A série A do Brasileiro ficou realmente empolgante na reta final. A queda de rendimento do Palmeiras, que antes tinha cinco pontos de vantagem sobre o segundo colocado, mas perdeu seus três últimos jogos, e, além disso, a ascensão do Atlético-MG e Flamengo, aliado a São Paulo e Internacional voltarem a vencer, deixaram o campeonato inteiramente aberto, tanto em relação ao título, quanto em relação a classificação para a Libertadores.
A diferença entre o Palmeiras, ainda em primeiro com 54 pontos, e o Flamengo, quinto colocado com 51 pontos, é de apenas três pontos, e a do Palmeiras para o Atlético, segundo, é tão só de um ponto.
Ademais, desses cinco times, o Palmeiras é o que, nas últimas rodadas, teve pior desempenho e o Atlético e o Flamengo foram os melhores.
E ainda tem o Cruzeiro, melhor campanha do segundo turno, também se aproximando, já com 48 pontos.
Portanto, nada é previsível, quer quanto ao título, quer quanto ao G4. Muitas emoções para as próximas rodadas e um palpite pessoal: Atlético-MG ou São Paulo, um dos dois, será o campeão.
Na parte de baixo da tabela, Fluminense e Sport já foram para a série B. Náutico, Botafogo e Santo André tentam, com grande luta, se salvar. O Coritiba ainda tem risco, porém menor.
Já a série B parece-me definida quanto a classificação para o acesso: Vasco, Guarani, Ceará e Atlético-G0 estarão na série A, em 2010. Figueirense e Portuguesa ainda tem chances, mas se afastaram demais do G4 (cinco pontos) e aqueles quatro primeiros times mantém boa regularidade.
Na parte de baixo, Campinense e ABC acredito que já estão rebaixados. As outras duas vagas do descenso serão do Fortaleza, Bahia ou América-RN, com leve risco ainda para o Ipatinga que há quatro rodadas não vence e parece em franco declínio.

Falando especificamente dos times baianos, penso que o Vitória vai se manter ali na zona intermediária da classificação na série A, em torno do décimo lugar, garantindo novamente, sem dificuldades, sua participação na Sul Americana de 2010. Classificar para Libertadores é, na prática, quase impossível, embora a matemática ainda permita o sonho.
Já quanto ao Bahia, considero que dificilmente escapará do rebaixamento para a série C. Os sites estatísticos indicam que ele e o América têm praticamente a mesma probabilidade de queda, mas vejo o time potiguar com mais determinação e garra, nesse final de campeonato. Talvez, exatamente ter permitido ao América o empate em Pituaçu, depois de estar vencendo duas vezes com diferença de dois gols, tenha sido fatal para o Bahia. Se realmente cair, será a repetição de um desastre, que expõe, mais uma vez, a incompetência diretiva do clube e a incapacidade dos “maracajistas” aprenderem a lição. Mas, isso é outra conversa que, como já disse antes, só retomarei no final do campeonato, esteja o Bahia salvo na série B ou, de novo, condenado à série C.

domingo, 18 de outubro de 2009

O VITÓRIA E AS ALTERNATIVAS DO BRASILEIRÃO

Depois de um primeiro tempo em que teve chances claras de gols, inclusive em penalti não convertido, o Vitória tomou um susto com o gol do Náutico, logo no início do segundo tempo. Mas, reagiu. Seja pelo acerto das modificações feitas por Mancini, com Leandrão no lugar de Roger e Jackson no lugar de Gláucio, seja pelo fato do Náutico ter um zagueiro expulso, é indiscutível que o Vitória soube se impor, criar as jogadas necessárias para os dois gols de Leandrão e um de Jackson e, mais uma vez, mostrar determinação até o final da partida. Já anotaram quantas vezes o Vitória consegue decidir o jogo na segunda metade do segundo tempo? Pois é: bom preparo físico e um treinador que faz a leitura correta do jogo, aliado a um time que demonstra elevada confiança.
O resultado deixou o Vitória a apenas cinco pontos do G4, em nono lugar e sonhando ainda com a Libertadores. É muito difícil, especialmente porque, em sua frente, ainda estão quatro clubes com o mesmo objetivo, além dos quatro que já estão lá na zona de classificação.
Porém, é fato que Palmeiras, São Paulo, Internacional e Goiás deram uma estacionada e já não demonstram a mesma eficiência de rodadas anteriores, permitindo o sonho de seus concorrentes. Entre esses, parece-me que o Atlético-MG subiu muito de produção com a entrada de Ricardinho, que organizou o meio e dita o ritmo de jogo, aliado a ótima fase de Diego Tardelli. O Galo mostrou ótimo desempenho na vitória ontem sobre o São Paulo e pode surpreender até em relação ao título, uma vez que já é o terceiro colocado.
O Flamengo também vem crescendo e, hoje, deu um "banho" no Palmeiras, sob o comando do genial Petkovic que, além dos gols que fez, foi a referência de todos os contra-ataques. Está em quinto, a apenas um ponto do quarto colocado.
E o Cruzeiro vem chegando, chegando.
Pois é, as últimas oito rodadas do Brasileirão prometem muito. Vamos ver!

sábado, 17 de outubro de 2009

O BAHIA HUMILHADO

Como já havia dito no meu comentário do último dia 10, não pretendo, até o final do campeonato, emitir opinião a respeito de cada um dos jogos que o Bahia faça, reservando-me para comentários mais amplos, no final da temporada, seja com o Bahia rebaixado para série C, como tudo parece indicar, seja ele mantido na série B.
Mas, quero hoje voltar ao jornalista, escritor e professor João Carlos Teixeira Gomes, que no jornal ”A Tarde” de hoje, continua a expressar sua indignação com a decadência do Bahia e a continuada incompetência dos seus dirigentes.
No meu comentário do dia 07 de outubro, já fiz menção a outra entrevista de Teixeira Gomes, amplamente divulgada na mídia nacional, onde ele refere ao Bahia como uma força social. Hoje ele continua a se expressar sobre o tema e o faz, como é costumeiro, de forma precisa:
Pouco clubes no Brasil se identificam tanto com o povo como o Bahia. Não é apenas um time de massa como Flamengo ou Corintians. Quando entra em campo, sob o fragor de sua imensa torcida e o vistoso movimento das coloridas bandeiras, a paixão que o Bahia desperta se iguala a um sentimento de comoção cívica. É como se fosse um pedaço da terra baiana invadindo o gramado para uma batalha épica. O Bahia provoca fanática emoção de patriotismo.
Isto se dá por um conjunto de fatores. As cores – o vermelho, o azul e o branco – que são as mesmas da nossa bandeira. O nome, que é o mesmo da nossa terra. O vigor e o entusiasmo da sua torcida, que constitui notável expressão sociológica da nossa composição, como povo multirracial que se integra em mística devoção, superando todas as barreiras e diferenças sociais, étnicas e religiosas. O Bahia representa, no campo esportivo, o mais perfeito exemplo de sincretismo cultural que distingue a Bahia de todos os demais estados brasileiros e faz da nossa terra uma realidade incomparável, por única.
Eis porque se torna inadmissível que o clube tenha chegado ao nível de humilhação a que foi atirado pelas administrações que o desmoralizam há tantos anos consecutivos.”
Segue, em sua magnífica exposição, apontando a “dinastia dos maracajistas” (Paulo Maracajá e os que ele depois apadrinhou, como Marcelo Guimarães, pai e filho, Rui Acioli, Petrônio Barradas, etc) como responsáveis – e são – por deixarem despencar “um longo passado vitorioso, obtido por gerações sucessivas e anos de lutas por todos os campos do Brasil”.
E, ao final, sentencia e conclui: “Confesso que só vejo um caminho para a salvação: voltar a torcida às ruas, como em 2006, e depois organizar-se para, num movimento cívico como a insurreição do Dois de Julho, impedir o continuísmo da tropa dos azarados, para que o Bahia enfim se soerga e reencontre o caminho de sua perdida grandeza.”
Concordo e assino embaixo. Só não sei se esse movimento popular, depois de tantos anos de humilhação, desolação e cansaço, ainda seria realmente capaz de acontecer. Nem enxergo nomes capazes de liderá-lo, pois vejo que muitos tricolores competentes e esclarecidos, que seriam capazes de orientar uma reação, afastaram-se do clube, exatamente para não serem confundidos com os perversos da “dinastia dos maracajistas”.
Mas torço, muito, para que algum movimento aconteça e com ele as mudanças indispensáveis para que o Bahia retome sua glória e volte a justificar a letra do seu hino.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

ARGENTINA NA COPA.

E a Argentina está na Copa! Não dava prá ser diferente, pois uma Copa sem os argentinos perderia muito em qualidade, rivalidade e expectativas. É verdade que eles não estão apresentando atualmente um futebol de grande qualidade. Hoje mesmo, no jogo contra o Uruguai, a Argentina foi essencialmente defensiva, limitando-se, quando tinha o domínio da bola, a tocá-la de um lado para outro do campo, sob o comando do incansável Véron. Até Messi somente apareceu para dar toques burocráticos. Do outro lado, um Uruguai de pouca técnica, incapaz de criar - coletiva ou individualmente - jogadas que escapassem da marcação argentina. O gol só poderia sair mesmo por acaso ou numa jogada de bola parada. Foi o que aconteceu, em favor da Argentina, numa cobrança de falta em que a bola, rebatida na área, sobrou para o zagueiro Bolati chutar e fazer o gol.
Mas, deu gosto ver a comemoração argentina em campo, desde o passional Maradona aos entusiasmados e criticados jogadores.
É essa emoção argentina que não poderia faltar na Copa. Emoção que, se aliada ao futebol de talento e qualidade que sempre se espera da Argentina, garantirá bons momentos para se ver!
Bravo, hermanos!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

NADA DE NOVO NA SÉRIE A

Essa última rodada da série A do Brasileiro nada alterou de significativo na classificação. Não por vitórias dos líderes, mas, exatamente pelo contrário: todos perderam (Palmeiras, São Paulo, Atlético-MG) ou empataram (Internacional e Goiás). A registrar: a aproximação do Flamengo no G4, após a vitória sobre o São Paulo, e a confirmação da recuperação do Cruzeiro, talvez tardia para suas pretensões de alcançar a classificação para a Libertadores.
Na zona do rebaixamento, também nada mudou, não obstante a bela vitória de 3 x 0 do Náutico sobre o Palmeiras. Mas, ele, o Santo André, o Sport e o Fluminense continuam ali, nos últimos lugares.
O Vitória foi a São Paulo e empatou com o Santos (0 x 0), em jogo equilibrado, mas que o clube santista teve maior domínio e melhores oportunidades. O resultado, é claro, foi melhor para o Vitória que para o Santos, ambos no meio da tabela de classificação e, ao que tudo indica, buscando apenas manter-se na zona de classificação para a Sul Americana de 2010.
Faltando nove rodadas para o término do campeonato, espera-se que as próximas tragam mais emoções.

domingo, 11 de outubro de 2009

BOLIVIA 2 X 1 BRASIL

Perder da Bolivia, ainda que a altitude a favoreça, não permite que se faça qualquer elogio ao Brasil. Já classificados e com a desculpa prévia da altitude, os jogadores, com raras exceções, entraram em campo em ritmo de treino, ou melhor, para cumprir tabela. Deixaram para fazer alguma festa em Mato Grosso, numa provável vitória sobre a Venezuela. Como o Brasil já está classificado, tudo bem, não se pode exigir mais.
A registrar, de positivo, o desempenho de Daniel Alves e Nilmar. Vai ser difícil e injusto não mantê-los como titulares.

MARADONA

Sem dúvida, a cena mais marcante dessa rodada das Eliminatórias para a Copa do Mundo foi o peixinho de Maradona, comemorando o gol, no último minuto, que deu a vitória da Argentina sobre o Peru. Comemorou como se o gol fosse dele, com um gesto ágil para o seu hoje elevado peso, que só a emoção explica, e como se ali já estivesse consumada uma conquista definitiva.
Vê-se, em momentos como esse, o motivo dos argentinos terem Maradona como um ídolo além do futebol. Maradona é paixão à flor da pele, diz e faz o que o momento lhe faz sentir, tudo com elevada carga de dramaticidade, intenso, como um tango argentino.
Como técnico, percebe-se que Maradona não consegue dar uma organização ao time da Argentina. E desde quando a paixão organiza? A paixão quer movimento constante, ainda que turbulento, ainda que sem ordem. É assim que a Argentina joga sob o comando de Maradona, numa desordenada correria, numa busca frenética e pouca organizada do gol.
Por isso, será dramática a classificação. Mas, parece ser essa emoção permanente o alimento de "Dieguito" e da alma argentina.

sábado, 10 de outubro de 2009

BAHIA FIRME A CAMINHO DA SÉRIE C

Mais um, Bahia! Não mais um título de glória, como canta seu hino, mas, sim, mais um vexame em Pituaçu, sob os olhos desolados de quase 18.000 torcedores, em plena véspera de um fim de semana prolongado pelo feriado do dia 12. O empate de 3 x 3 contra o América-RN, depois de, por duas vezes na partida, estar vencendo com diferença de dois gols (2 x 0 e 3 x 1) retrata o desequilíbrio, a desorganização e a inconsistência do time.
O grupo de jogadores, já se sabe, não é de boa qualidade, mas, como disse Bonamigo, está na média da série B, não se justificando campanha tão decepcionante. Ele, é verdade, errou na escalação, quando entrou com Paulo Isodoro e, mais ainda, ao mantê-lo tanto tempo em campo. E errou também nas alterações que fez, especialmente no posicionamento em campo que definiu para Helton Luis e Ernani, quando entraram.
O fato concreto é que, dos últimos 24 pontos que disputou, o Bahia conquistou apenas 2. É sinal claro, claríssimo, que entrará novamente pela porta da série C, salvo se conseguir uma surpreendente e improvável reação que os últimos 8 jogos não autorizam acreditar.
Mas, futebol, é verdade, às vezes surpreende, como aliás surpreende a campanha desastrosa do Bahia, que começou o campeonato com ares de candidato ao acesso, depois se viu que sua realidade seria apenas manter-se na zona intermediária e, agora, luta, de forma desesperada, para escapar do descenso.
Este comentarista do blog, salvo algum acontecimento excepcional, não irá mais, jogo a jogo, opinar sobre essa caminhada final do Bahia na série B. Aguardará o final dela, quando estiver confirmada a queda para a C ou a manutenção na série B. Há tantos questionamentos a serem feitos, fatos a serem contestados e comentados, propostas a serem apresentadas, que o comentário de cada jogo, nesse momento, passa a ser de menor importância ou valia.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

VITÓRIA X FLAMENGO E OUTROS JOGOS DA RODADA

Vitória e Flamengo fizeram um jogo empolgante. O Flamengo começou em cima e fez um gol, mas já tivera uma oportunidade antes. O Vitória acordou e empatou logo, em mais um escanteio que Ramon cobrou com precisão na cabeça de Roger. O Flamengo continuou perigoso e Pet mostrou seu veneno na bola parada, colocando mais uma vez o rubro negro carioca na frente. Mas, o Vitória tinha Ramon, mestre também nas bolas paradas e, em cobrança perfeita, que Bruno não ousou ir na bola, empatou o jogo. Aí o Vitória passou a controlar o jogo e em belo lance de Gláucio pela direita, Ramon concluiu com perfeição: Vitória 3 x 2 Flamengo.
No segundo tempo, os times pareceram evitar um jogo tão frenético e marcaram mais forte, tiveram mais cautelas. As chances de gols reduziram. Perto do final, o Flamengo fez modificações mais ousadas, em busca do empate que precisava, e conseguiu, aos 45’ do segundo tempo, com Zé Roberto. Final 3 x 3.
Sem dúvida, o melhor jogo da rodada. Merecia um público melhor do que foi anunciado, em torno de 22.000 pessoas.

No Maracanã, em jogo de baixa qualidade e emoção, Fluminense e Corintians ficaram no 1 x 1. O Flu, mesmo que sonhe, não escapa do rebaixamento.

O mesmo parece acontecer com o Sport, derrotado em casa pelo Santos, graças, é verdade, a uma atuação fabulosa do jovem goleiro Felipe.

O São Paulo, por sua vez, vacilou, empatando com o Coritiba em casa, em jogo que teve até gol olímpico de Marcelinho Paraíba, em falha de Rogério Ceni que, parece, não está em boa forma. Os palmeirenses sorriram.

E Atlético-PR e Grêmio, assim como, Barueri e Santo André empataram em 0 x 0, em jogo de pouca repercussão.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

BAHIA, UMA "FORÇA SOCIAL"

Ainda repercute a lúcida e emocionada entrevista do escritor e jornalista João Carlos Teixeira Gomes (Joca), no Terra Magazine (transcrita também em outros órgãos da imprensa e no blog do Juca Kfouri) a respeito do Esporte Clube Bahia, suas glórias e o que fazer para salvá-lo.
Entre as muitas afirmações que faz, uma das mais contundentes é: “O Bahia não é apenas um clube esportivo, mas uma força social no Estado da Bahia.”
Não há dúvida que um clube com a numerosa e apaixonada torcida que tem o Bahia deixa de ser um mero time de futebol, para se tornar um fenômeno maior, para ter uma repercussão social mais ampla. Por isso, aliás, tudo no Bahia é amplificado: as crises são mais profundas, as críticas mais duras, as disputas internas mais questionadas e por aí vai. E lógico, na glória ou na crise, a imprensa adora falar (mal ou bem) do Bahia, pois dá audiência.
No entanto, é forçoso reconhecer que a “força social” que o Bahia é está enfraquecendo, aliás, já está bastante enfraquecida. Conseqüência da década perdida (2000/2009) em relação a títulos, conseqüência da interdição da Fonte Nova, palco de exercício da “força social” do Bahia, para onde, a pé, se dirigiam torcedores de todos os bairros do entorno, além de ser um estádio onde, de qualquer lugar da cidade, pode se chegar com apenas um transporte público, em razão da Estação da Lapa (ali, lembrem-se, o Bahia, ainda que mal nos campeonatos, dificilmente o público era inferior a 15.000 pessoas). Pituaçu não tem essas facilidades.
E, lógico, esse enfraquecimento é conseqüência, principalmente, da incompetência gerencial dos Dirigentes do clube que, ano a ano, sinalizam promessas e conquistas, ao final frustradas, sem falar dos repetidos riscos de rebaixamentos, algumas vezes concretizados nos últimos anos: ameaçou cair da série A para a B em 1996 e caiu em 1997; também da A para a B, ameaçou cair em 2002 e conseguiu em 2003; da B para C, em 2005; e, agora, em 2009, vivencia novamente o risco do descenso para a série C.
Há, portanto, um inevitável cansaço da torcida, um esgotamento por viver tantos insucessos, um desencanto que a cada ano aumenta e torna cada vez mais frágil a “força social” a que Teixeira Gomes referiu.
Porém, é indiscutível que essa “força social” ainda existe, latente. Embora inquestionável o crescimento da torcida do maior rival do Bahia, o Vitória, especialmente nas novas gerações, percebo a “ força social” a que o escritor referiu quando vejo, na escolinha de futebol que meu filho de 9 anos freqüenta, significativo número de garotos tricolores, vestidos com a camisa do Bahia, orgulhosos, vibrantes. Ante tantas decepções dos últimos anos, somente um clube com uma “força social” como a que referiu João Carlos Teixeira Gomes, continuaria a despertar interesse, esperança e paixão de antigos e novos torcedores.

sábado, 3 de outubro de 2009

BAHIA, VITÓRIA, OLIMPÍADAS DE 2016

O Bahia perdeu mais uma. Dessa vez em Florianópolis, para o Figueirense, por 2 x 0. A rigor, essa derrota era esperada: Bahia em crise, Figueirense em ascensão, perseguindo o G4 e jogando em casa, não poderia ser outro o resultado. O Bahia até mostrou alguma evolução na sua postura em campo, mas continuou pouco criativo. Leandro e Bruno Silva foram expulsos de novo, o que mostra ansiedade e nervosismo, mesmo considerando a arbitragem confusa.
Só resta ao Bahia vencer as cinco partidas em casa para evitar o rebaixamento. Também, se não conseguir vencer, em casa, América-RN, Fortaleza, Campinense e Vila Nova merece mesmo a série C.

O Vitória, por sua vez, foi enfrentar, como favorito, um apreensivo Santo André, lutando contra o rebaixamento. Um gol antes de completar o primeiro minuto atordoou o rubro negro, que só começou a se encontrar no jogo a partir dos vinte minutos. Algumas jogadas criadas e perdidas, de ambos os lados, se não desperdiçadas poderiam resultar em placar diverso para qualquer dos dois lados. Mas, ficou mesmo no 1 x 0 para o Santo André. Pelo futebol que vinha jogando, esperava-se um Vitória mais consistente. Vacilou. Agora é encarar o Flamengo, no Barradão.

Melhor do que falar em derrotas é mesmo celebrar a escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016. Essa escolha confirma as notícias que chegam do exterior e se lê nos periódicos internacionais: há, pela estabilidade econômica e política, pelas potencialidades energéticas, pelas possibilidades concretas de desenvolvimento, pelo carisma do Presidente Lula, uma forte expectativa em torno do Brasil. O Brasil, pode-se dizer, está na moda. Eventos como a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016 darão ao país uma visibilidade jamais tida. É hora de aproveitar a chance, planejar e fazer tudo com precisão, sem sobressaltos. Há tempo e talento para tanto.
É também uma oportunidade ímpar para os clubes brasileiros se reorganizarem, crescerem, melhorarem sua imagem perante a mídia internacional e captarem mais recursos. Pensem nisso, senhores dirigentes do Vitória e do Bahia.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

AS MUDANÇAS NO BAHIA

Após o vexame do jogo contra o Duque de Caxias e o ingresso na zona de rebaixamento, a Direção do Bahia apressou-se em adotar medidas que, segunda ela, evitarão o descenso para a série C.
Assim, saiu Paulo Carneiro, gestor de futebol, entrou Elizeu Godoy. Saiu o técnico Sérgio Guedes chegou Paulo Bonamigo.
A saída de ambos se justifica. Paulo Carneiro, como gestor de futebol, foi um fracasso. Não conseguiu montar um time, sequer um grupo de jogadores confiáveis, elevou demasiadamente os gastos com a folha de salários e, pior, não convenceu ao torcedor tricolor que sua origem rubro-negra não seria impedimento para uma boa gestão no Bahia. Teve seus méritos, especialmente no que refere a dotar o Fazendão de uma melhor estrutura, mas isso não era e não foi o bastante.
Sérgio Guedes, por sua vez, que parece ser um bom técnico e que apresentava um discurso sobre o Bahia bem interessante, e fazia uma boa leitura dos jogos, não conseguiu traduzir seu trabalho e convicções em resultados. Nenhum técnico se mantém perdendo 5, 6 jogos consecutivos, notadamente jogos em casa, contra times fracos, como o Brasiliense e o Duque de Caxias, resultando na queda para a zona do rebaixamento.
Portanto, não se discute a saída dos dois, pois, bons motivos havia para tanto.
Pergunta-se, porém, qual o critério usado para a escolha de Elizeu e Bonamigo?
Elizeu, embora ligado ao esporte em seu trabalho na rádio e televisão, não tem qualquer experiência como gerente de futebol e não tem cancha no chamado “mercado da bola”. Até o seu papel não ficou claro, pois, em entrevista, hoje, o Presidente Marcelo Guimarães Filho declarou: “Ele chega para ser um elo entre o presidente e os jogadores. Como conhece muito, ele será muito importante também nesse contato diário com os atletas. Ele chega como funcionário do clube e espero que ele fique, no mínimo, até o final do meu mandato”, torceu. Marcelinho revelou também que Elizeu não chega para substituir Paulo Carneiro e que esse profissional está sendo procurado no mercado. “Estamos conversamos com muitos profissionais de fora da Bahia, até por que aqui não achei ninguém com esse perfil. Mas estamos procurando com calma esse profissional, já que não podemos errar nessa escolha”, observou.” (fonte: site Bahia Notícias).
Ou seja: a escolha por Elizeu parece mais ter o objetivo de dar uma satisfação a torcida, trocando um rubro-negro por um tricolor histórico, e de, com ele, amortecer um pouco a ferocidade das críticas de certa parte da imprensa. Pois, como disse o Presidente, o profissional que será o novo gestor de futebol ainda está sendo procurado.
Quanto a Bonamigo, a dúvida que se tem é se este não seria o momento para um técnico mais experiente e não um técnico emergente. Givanildo Oliveira e mesmo Mauro Fernandes (este absurdamente demitido do Atlético-Go após duas derrotas, mesmo o time estando em terceiro lugar na classificação) são técnicos experientes, que já conseguiram o acesso de vários clubes, conhecem bem os caminhos da série B e, em seus currículos, têm razoável número de títulos. Como estão disponíveis, não seria este momento de crise mais adequado para um técnico com esse perfil e não um técnico emergente e com poucos títulos, como Bonamigo?
Como as mudanças decorreram da crise instalada e não de um planejamento, resta torcer para que os escolhidos tenham êxito e livrem o Bahia de nova humilhação.