quinta-feira, 1 de outubro de 2009

AS MUDANÇAS NO BAHIA

Após o vexame do jogo contra o Duque de Caxias e o ingresso na zona de rebaixamento, a Direção do Bahia apressou-se em adotar medidas que, segunda ela, evitarão o descenso para a série C.
Assim, saiu Paulo Carneiro, gestor de futebol, entrou Elizeu Godoy. Saiu o técnico Sérgio Guedes chegou Paulo Bonamigo.
A saída de ambos se justifica. Paulo Carneiro, como gestor de futebol, foi um fracasso. Não conseguiu montar um time, sequer um grupo de jogadores confiáveis, elevou demasiadamente os gastos com a folha de salários e, pior, não convenceu ao torcedor tricolor que sua origem rubro-negra não seria impedimento para uma boa gestão no Bahia. Teve seus méritos, especialmente no que refere a dotar o Fazendão de uma melhor estrutura, mas isso não era e não foi o bastante.
Sérgio Guedes, por sua vez, que parece ser um bom técnico e que apresentava um discurso sobre o Bahia bem interessante, e fazia uma boa leitura dos jogos, não conseguiu traduzir seu trabalho e convicções em resultados. Nenhum técnico se mantém perdendo 5, 6 jogos consecutivos, notadamente jogos em casa, contra times fracos, como o Brasiliense e o Duque de Caxias, resultando na queda para a zona do rebaixamento.
Portanto, não se discute a saída dos dois, pois, bons motivos havia para tanto.
Pergunta-se, porém, qual o critério usado para a escolha de Elizeu e Bonamigo?
Elizeu, embora ligado ao esporte em seu trabalho na rádio e televisão, não tem qualquer experiência como gerente de futebol e não tem cancha no chamado “mercado da bola”. Até o seu papel não ficou claro, pois, em entrevista, hoje, o Presidente Marcelo Guimarães Filho declarou: “Ele chega para ser um elo entre o presidente e os jogadores. Como conhece muito, ele será muito importante também nesse contato diário com os atletas. Ele chega como funcionário do clube e espero que ele fique, no mínimo, até o final do meu mandato”, torceu. Marcelinho revelou também que Elizeu não chega para substituir Paulo Carneiro e que esse profissional está sendo procurado no mercado. “Estamos conversamos com muitos profissionais de fora da Bahia, até por que aqui não achei ninguém com esse perfil. Mas estamos procurando com calma esse profissional, já que não podemos errar nessa escolha”, observou.” (fonte: site Bahia Notícias).
Ou seja: a escolha por Elizeu parece mais ter o objetivo de dar uma satisfação a torcida, trocando um rubro-negro por um tricolor histórico, e de, com ele, amortecer um pouco a ferocidade das críticas de certa parte da imprensa. Pois, como disse o Presidente, o profissional que será o novo gestor de futebol ainda está sendo procurado.
Quanto a Bonamigo, a dúvida que se tem é se este não seria o momento para um técnico mais experiente e não um técnico emergente. Givanildo Oliveira e mesmo Mauro Fernandes (este absurdamente demitido do Atlético-Go após duas derrotas, mesmo o time estando em terceiro lugar na classificação) são técnicos experientes, que já conseguiram o acesso de vários clubes, conhecem bem os caminhos da série B e, em seus currículos, têm razoável número de títulos. Como estão disponíveis, não seria este momento de crise mais adequado para um técnico com esse perfil e não um técnico emergente e com poucos títulos, como Bonamigo?
Como as mudanças decorreram da crise instalada e não de um planejamento, resta torcer para que os escolhidos tenham êxito e livrem o Bahia de nova humilhação.

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