sábado, 17 de outubro de 2009

O BAHIA HUMILHADO

Como já havia dito no meu comentário do último dia 10, não pretendo, até o final do campeonato, emitir opinião a respeito de cada um dos jogos que o Bahia faça, reservando-me para comentários mais amplos, no final da temporada, seja com o Bahia rebaixado para série C, como tudo parece indicar, seja ele mantido na série B.
Mas, quero hoje voltar ao jornalista, escritor e professor João Carlos Teixeira Gomes, que no jornal ”A Tarde” de hoje, continua a expressar sua indignação com a decadência do Bahia e a continuada incompetência dos seus dirigentes.
No meu comentário do dia 07 de outubro, já fiz menção a outra entrevista de Teixeira Gomes, amplamente divulgada na mídia nacional, onde ele refere ao Bahia como uma força social. Hoje ele continua a se expressar sobre o tema e o faz, como é costumeiro, de forma precisa:
Pouco clubes no Brasil se identificam tanto com o povo como o Bahia. Não é apenas um time de massa como Flamengo ou Corintians. Quando entra em campo, sob o fragor de sua imensa torcida e o vistoso movimento das coloridas bandeiras, a paixão que o Bahia desperta se iguala a um sentimento de comoção cívica. É como se fosse um pedaço da terra baiana invadindo o gramado para uma batalha épica. O Bahia provoca fanática emoção de patriotismo.
Isto se dá por um conjunto de fatores. As cores – o vermelho, o azul e o branco – que são as mesmas da nossa bandeira. O nome, que é o mesmo da nossa terra. O vigor e o entusiasmo da sua torcida, que constitui notável expressão sociológica da nossa composição, como povo multirracial que se integra em mística devoção, superando todas as barreiras e diferenças sociais, étnicas e religiosas. O Bahia representa, no campo esportivo, o mais perfeito exemplo de sincretismo cultural que distingue a Bahia de todos os demais estados brasileiros e faz da nossa terra uma realidade incomparável, por única.
Eis porque se torna inadmissível que o clube tenha chegado ao nível de humilhação a que foi atirado pelas administrações que o desmoralizam há tantos anos consecutivos.”
Segue, em sua magnífica exposição, apontando a “dinastia dos maracajistas” (Paulo Maracajá e os que ele depois apadrinhou, como Marcelo Guimarães, pai e filho, Rui Acioli, Petrônio Barradas, etc) como responsáveis – e são – por deixarem despencar “um longo passado vitorioso, obtido por gerações sucessivas e anos de lutas por todos os campos do Brasil”.
E, ao final, sentencia e conclui: “Confesso que só vejo um caminho para a salvação: voltar a torcida às ruas, como em 2006, e depois organizar-se para, num movimento cívico como a insurreição do Dois de Julho, impedir o continuísmo da tropa dos azarados, para que o Bahia enfim se soerga e reencontre o caminho de sua perdida grandeza.”
Concordo e assino embaixo. Só não sei se esse movimento popular, depois de tantos anos de humilhação, desolação e cansaço, ainda seria realmente capaz de acontecer. Nem enxergo nomes capazes de liderá-lo, pois vejo que muitos tricolores competentes e esclarecidos, que seriam capazes de orientar uma reação, afastaram-se do clube, exatamente para não serem confundidos com os perversos da “dinastia dos maracajistas”.
Mas torço, muito, para que algum movimento aconteça e com ele as mudanças indispensáveis para que o Bahia retome sua glória e volte a justificar a letra do seu hino.

Nenhum comentário:

Postar um comentário