quarta-feira, 30 de setembro de 2009

VITÓRIA SAI DA SUL-AMERICANA

O Vitória poderia ter ido mais longe na Sul Americana. Sua atual fase no Brasileirão autorizava essa expectativa. Talvez o seu equívoco tenha sido tentar jogar em Montevideu como joga no Brasileiro. No campeonato de pontos corridos, um time pode errar em um jogo e recuperar-se em outros seguintes. Em um torneio de jogos de ida e volta, o chamado "mata-mata", como a Sul Americana, o erro em um jogo pode ser fatal. Penso que o erro aconteceu no Uruguai, quando o Vitória, ao invés de cauteloso, foi um time que se atirou em busca da vitória, tanto no início, quando depois que fez um gol e diminui o placar para 2 x 1, placar que ainda lhe seria bom para administrar. Como se expôs muito, levou contra-ataques e foi goleado por 4 x 1. Aí ficou com a complicada missão de vencer o jogo da volta por 3 x 0, ou mais, para continuar na Copa. Tentou, com valentia, hoje, no Barradão, teve lances que mais cedo poderiam ser transformados em gols, mas só conseguiu fazer 1 x 0 depois dos 40 minutos do segundo tempo. Já era tarde. E, como se atirava à frente, esteve todo o jogo exposto aos contra-ataques e, em um deles, já nos acréscimos, o River Plate empatou.
Agora é focar no Brasileiro, onde o Vitória certamente confirmará sua participação na Sul Americana do próximo ano, quando, com mais experiência, poderá obter melhor resultado na competição internacional.

BAHIA, O QUE DIZER?

O que dizer de um time que perde para o Duque de Caxias, time que mal consegue levar, em média, 300 torcedores por jogo para seu estádio, que veio para Salvador jogar todo atrás, pensando apenas no empate e que, jogando com um jogador a menos, consegue fazer dois gols no Bahia, em contra-ataques que ele ofereceu de forma ingênua e atrapalhada?
No momento, ante a perplexidade do que se viu ontem à noite em Pituaçu, realmente não há muito a comentar. Apenas dizer que o time do Bahia esteve (assim como na maior parte dos últimos jogos) perdido em campo, desorganizado, afoito, um time sem alma, sem vibração.
A conseqüência de seis jogos sem vencer é óbvia: chegou a zona do rebaixamento, quando o pânico se instala, os cálculos começam a prevalecer sobre as táticas e técnicas, etc., etc. Com esse futebol, que a todos deixa indignado, em face do que se projetou no início e meados do ano, e até em alguns jogos da série B em Pituaçu (contra o Vasco, Atlético Goianense, São Caetano, ABC), estão abertos os caminhos para o retorno a série C. Se voltar para lá, o futuro do Bahia é muito incerto, funesto talvez. Com a palavra, os senhores dirigentes do Bahia, que tanto prometeram e até asseguraram e que, agora, antes que o desastre aconteça, têm a obrigação de não se omitir.

domingo, 27 de setembro de 2009

POUCAS NOVIDADES NAS SÉRIES A E B.

Poucas novidades nas séries A e B do Campeonato Brasileiro, nessa última rodada.
Na série A, os quatro primeiros permaneceram no chamado G4, apenas com alternância de posições, uma vez que o Goiás, confirmando sua ótima campanha, tomou a vice liderança do São Paulo, que ficou agora em terceiro e o Internacional em quarto.
Lá em baixo, também os quatro últimos mantiveram suas posições.
A destacar: os cinco pontos que o Palmeiras abriu dos três concorrentes no G4; o Atlético ter voltado de vez para a briga nesse grupo, depois da vitória sobre o Santos; e o Vitória, confirmando sua ótima fase, vencendo a terceira consecutiva, agora contra o Botafogo, em pleno Engenhão, dá sinais que pode chegar mais longe e restabelece sua confiança para a Sul Americana.
Na série B, também poucas novidades. O G4 permaneceu o mesmo, assim como o grupo do descenso. A destacar apenas a arrancada do Figueirense, que venceu o Paraná, no Paraná, e encostou no Ceará, ameaçando entrar no grupo de acesso.
Faltando 12 rodadas, muita coisa ainda pode acontecer, mas, parece que, no geral, o quadro de classificação e rebaixamento começa a se estabilizar. Talvez sejam poucas as mudanças até o final, embora, na série A, mesmo com os cinco pontos de vantagem, ainda não considero certo o Palmeiras como campeão, especialmente porque penso que, tanto o São Paulo, como o Goiás, como o Inter, têm futebol mais convincente, embora, no momento, nào consigam sempre traduzir em resultados, como faz o Palmeiras.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A SEDE DE PRAIA DO BAHIA

É do domínio público a falência da maioria dos clubes sociais de Salvador. A maior parte deles (Bahiano de Tênis, Associação Atlética, Itapagipe, Clube Português, etc) reduziu ou encerrou suas atividades, por motivos diversos, mas, especialmente, pelas dívidas com a Fazenda Municipal e pela perda ou inadimplemento dos sócios, motivado pela peculiaridade de Salvador ser uma cidade praiana e festiva, com outras opções de lazer, além dos condomínios residenciais passarem a ser dotados com estrutura recreativa equivalente a de um clube. Sobreviveram
apenas o Iate e o Costa Verde, além de alguns poucos clubes vinculados a empresas.
A sede do Bahia, na Boca do Rio, foi concebida como um clube social e, como a maioria deles, fonte de prejuízos.
Sendo ela, como foi, desapropriada, é inteligente a opção de, mediante acordo com o Poder Público, buscar-se uma justa remuneração, evitando um longo e imprevisível litígio judicial.
Os recursos obtidos, em sua maior fatia, devem ser aplicados em outro patrimônio imobiliário. Fala-se num centro de treinamento com tamanho significativamente maior que o Fazendão, capaz, entre outros equipamentos, de abrigar oito campos de futebol para treinamento dos profissionais e das divisões de base. Ótimo!
Penso, entretanto, que, uma parte menor desses recursos deve, sim, ser destinada a montagem de um time de futebol competitivo, capaz de, em curto prazo, ganhar títulos e assegurar o acesso a série A. Por que há contrários a essa destinação, se o Bahia é, essencialmente, um clube de futebol, se depende da boa performance do time para obter patrocínios, rendas em estádio, aumentar número de sócios, enfim, para ampliar, com êxito, suas ações de marketing e de captação de recursos? Aplicar no time é investimento, que pode gerar dividendos, e não simples gasto ou desperdício.
O importante é que a destinação de todo o recurso oriundo da desapropriação da sede de praia seja feita de forma planejada, racional, transparente, sem experimentos. E de modo algum deve ser moeda para pagamento de dívidas existentes, pois, aí sim, se estaria no risco de perder um patrimônio e não fazer uma reposição equivalente.

*Fotos: Correio, Jornal Esporte News

terça-feira, 22 de setembro de 2009

VITORIA 1 X 4 RIVER PLATE

Embalados pelas expressivas vitórias sobre o Palmeiras e Internacional, todos esperavam uma boa apresentação do Vitória hoje, na estréia da fase internacional da Sul Americana, especialmente porque jogava contra um desconhecido River Plate do Uruguai, em um vazio Estádio Centenário. O que se viu, porém, foi um Vitória confuso, especialmente no sistema defensivo, não obstante jogar com três volantes. Se, no ataque, o Vitória demonstrava alguma inspiração, seu sistema defensivo era um desastre, várias vezes envolvido pelo toque rápido do time uruguaio.
Quando o jogo estava 2 x 0, o Vitória conseguiu um precioso gol, importante para o critério classificatório da competição. Esperava-se, então, que o time tocasse mais a bola, apertasse a marcação. Mas, continuou confuso e duas bolas nas costas de Apodi, sem a cobertura devida, foram fatais para mais dois gols do River. Final River 4 x 1 Vitória.
No Barradão, dia 30, o Vitória terá que demonstrar a mesma força dos jogos contra o Internacional e o Palmeiras, para continuar na competição. É tarefa dificil, mas possível. Porém, hoje ficou claro que, no atual momento do time, Ramon – que não está inscrito na Sul Americana – faz muita falta, pelo que cadencia o jogo, pela sua experiência, pela qualidade nas bolas paradas.

BAHIA 0 X 0 IPATINGA

Se Bahia e Ipatinga jogassem 24 horas seguidas, certamente o resultado do jogo seria o mesmo dos 90 minutos de hoje: 0 x 0.
O Ipatinga aceitou a proposta de jogo do Bahia que, bem postado no sistema defensivo, tocava a bola de um lado para o outro, tinha a posse dela durante a maior parte do tempo, embora sem demonstrar poder ofensivo.
Assim foi todo o primeiro tempo e o segundo tempo não mostrou grandes alterações. Com a saída de Léo Medeiros, por alguns instantes, o Ipatinga pareceu tomar as rédeas da partida, mas foi só impressão, logo o Bahia voltou a ter o controle da posse de bola. Nessa etapa, duas chances claras de gol para cada lado e, nelas, os atacantes (Beto e Helton Luiz, pelo Bahia, e Diego Silva e Márcio Diogo, pelo Ipatinga) confirmaram que o jogo não era mesmo para gols.
Um jogo sonolento, de baixa qualidade técnica e criatividade.
O Bahia, um pouco mais consciente e arrumado que nos últimos jogos, traz um ponto fora de casa, que pode ser importante na sua luta contra o rebaixamento.

sábado, 19 de setembro de 2009

VITÓRIA VOA EM CÉU DE BRIGADEIRO

Caminhos abertos e sem tempestades para o Vitória.
Vencer o Internacional, após vencer o Palmeiras, os dois líderes do campeonato, sem dúvida qualifica o Vitória a fazer planos mais ambiciosos. Se dentro do Brasileirão ainda é difícil, mas não impossível, pensar no G4 e na Libertadores, os resultados indicam o Vitória como um dos times com chances reais de conquistar a Sul-Americana. Pesa contra ele apenas a pouca experiência em competições internacionais.
No jogo de hoje, de muito bom nível técnico, após um primeiro tempo equilibrado, em que o Vitória teve poucas chances de gol e o Inter esbarrou na excelente atuação de Viafara, o segundo tempo revelou um Vitória mais ousado, senhor de si, ciente que poderia, como pode, vencer ao qualificado time gaúcho. Ramon, em grande forma, além do bom toque de bola, foi, mais uma vez, decisivo nas bolas paradas, como no primeiro gol. Roger fez o segundo, em pênalti que ele mesmo sofreu, mostrando também sua importância para o time. O sistema defensivo, seguro e ligado cem por cento no jogo, impediu qualquer reação do Inter. Mancini tem o time na mão e enxerga o jogo de modo inteligente, apontando os caminhos certos para o êxito.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

BAHIA, O RETRATO DO DESESPERO.

Em campo, hoje, contra o Brasiliense, o Bahia foi o retrato do desespero. Se já começara inseguro, mais um gol por falha da defesa (sempre Evaldo), ainda no início do primeiro tempo, desorientou um time que já entrara em campo atordoado com a responsabilidade de redimir-se de três derrotas seguidas e dar à torcida a esperança vã de uma improvável classificação.
Assim, o primeiro tempo transcorreu com um Bahia confuso, sem criatividade, e um Brasiliense contra-atacando com perigo.
No segundo tempo, a entrada de Léo Medeiros e Helton Luiz melhoraram o passe e a criatividade e, com apenas 5 minutos de jogo o Bahia já criara duas ótimas chances de gol, que, de novo, o desespero e a precipitação impediram a finalização correta.
Aí o lateral do Brasiliense, em um contra-ataque e no único chute que deu a gol no segundo tempo, acertou, rasteiro, o canto direito do gol do Bahia. Logo em seguida, Jael, em bela cobrança de falta, diminuiu. Mas, o desespero já voltara em dose ainda maior e, não obstante a vontade desorganizada dos jogadores, a pouca técnica, a intranquilidade e a falta de jogadas trabalhadas não permitiram ao Bahia, ao menos, empatar.
É a quarta derrota seguida de um time que, com a chegada de Sérgio Guedes dera a impressão – falsa – de melhora.
A situação torna-se delicada, preocupante, quase vexatória, em face do futebol que o Bahia apresentou a partir do segundo tempo do jogo da Portuguesa, no jogo contra o ABC e hoje. Algo tem que ser feito para a imediata melhora em campo.
De outro lado, porém, finda aquela pressão injustificada – porque utópica – de ter que vencer pelo menos 11 jogos para conseguir o acesso. A meta agora é outra, mais modesta, mais possível: ganhar 5 jogos em 13, para escapar do rebaixamento. Entretanto, até essa meta torna-se gigante, se não houver um rápido ajuste do time. Convenhamos: perder em casa do Brasiliense, um time também muito pouco qualificado, é dose insuportável para qualquer torcedor que, há anos, sonha com o retorno do Bahia a uma época de vitórias contundentes.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

FUTEBOL FORÇA

Após assistir o vídeo abaixo, enviado pelo amigo e seguidor do "DECIFRANDO O JOGO", famoso goleiro, Diego Peneira, do Aeroporto 2 de Julho (time amador) , resolvi falar sobre o assunto.

Diversos jogadores vêm sofrendo contusões graves, o meia Eduardo da Silva do Arsenal em 2008 e o jogador africano do vídeo acima, são apenas algumas das vítimas do futebol força, que preocupa os amantes da técnica e das jogadas bonitas. Contusões graves, fraturas expostas, são resultados não apenas de lances maldosos, mas da força utilizada no futebol, hoje. Treinamentos voltados para a força desde da divisão de base, treinadores que priorizam jogadores extremamente vigorosos, abrindo mão dos habilidosos, técnicos, porém franzinos, também são responsáveis por lances como esses.
Sem falar na nova "moda", truculentos jogadores intimidam e não aceitam tomar dribles, apontando o dedo, ameaçando e dando pancadas nos criativos jogadores de ataque. Reclamam como se a habilidade aplicada por aqueles que fazem a graça do futebol, fosse uma falta de respeito ao marcador.
Ruim mesmo fica para o torcedor que acaba vendo jogos ruins, sem lances criativos, times defensivos e poucas jogadas de craques.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

BAHIA: O QUE RESTA COMENTAR?

Talvez reste muito, especialmente se lembrarmos a história do Bahia e quisermos que ele realmente volte a ser um clube vencedor. Por ora, porém, ficarei no dia seguinte de mais um vexame tricolor.
Contra o ABC, novamente (com já acontecera com a Portuguesa) um gol infantil, fruto de trapalhada do sistema defensivo, dessa vez no início do jogo, e o total desespero a partir dele. Desespero inconseqüente, que atingiu o até então equilibrado técnico Sérgio Guedes, com substituições pouco convencionais, embora atrevidas, mas que em nada resultaram. Final, ABC 3 X 0 e a fragilidade do time mais uma vez exposta. A sensação é que o Bahia o ano todo passou na busca de formar um time e, até aqui, não conseguiu. Falha e incompetência de quem ou de quantos?
Como escrevi após a derrota com a Portuguesa, resta ao Bahia pensar 2010. Agora, complemento dizendo que resta ao Bahia pensar 2010, mas, antes, lutando para permanecer na série B, pois essa será a sua meta final deste ano. Porque o acesso é impossível e a queda para série C será inadmissível, um achincalhe com conseqüências imprevisíveis.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

DEL POTRO SEGURA FEDERER

E Del Potro fez história! Exatamente em cima do maior tenista de todos os tempos, o argentino quebrou a seqüência de 40 jogos invictos de Federer no US OPEN e conquistou seu primeiro título em torneios do Grand Slam. Foi valente: dominado no primeiro set e até metade do segundo, aproveitou-se de um breve relaxamento de Federer e mostrou sua força, passou a dominar o jogo de forma consistente, com sua direita rápida e implacável. Federer, sem muita inspiração no primeiro saque, ainda venceu mais um set e fez tudo quanto pode para superar Del Potro. Mas era tarde/noite do argentino: 3 x 2, com 3 x 6, 7 x 6, 4 x 6, 7 x 6 e 6 x 2.
Sua idade – apenas 20 anos – permite presumir que um novo grande jogador chegou no mundo do tênis. Os hermanos estão comemorando!

domingo, 13 de setembro de 2009

VITÓRIA 3 X 2 PALMEIRAS E O BRASILEIRÃO.

Salvo no início do segundo tempo, o Vitória foi sempre o time que mais buscou o gol, que melhores chances teve. Jogou de igual prá igual contra o Palmeiras, indiferente à condição dele de líder do campeonato.
O bom posicionamento em campo, as bolas paradas de Ramon, a movimentação e habilidade de Neto Berola (às vezes individualista demais) e a vontade permanente de buscar o resultado foram decisivos para que o Vitória vencesse. É indiscutível que Mancini sabe dar ao time o espírito vencedor, especialmente quando joga no Barradão.
Além da torcida do Vitória, quem muito vibrou com a derrota do Palmeiras foi o Internacional, surpreendido em casa pelo Cruzeiro, em jogo de alta qualidade técnica.
Ali em cima da tabela, ficou tudo como estava, Palmeiras, Inter e São Paulo, nessa ordem. A diferença é que o São Paulo aproximou de vez, ficando com o mesmo número de pontos do Internacional e apenas um a menos que o Palmeiras. E o São Paulo, quando chega, é bom os concorrentes colocarem as barbas de molho.
A novidade mesmo foi a volta do Atlético-MG ao G4. Como o Atlético ainda está se reforçando, é bem provável que consiga se manter na frente do Goiás, Corintians e mesmo do Santos, que o presunçoso Luxemburgo anuncia que alcançará a classificação para a Libertadores.
Na parte de baixo da tabela, também sem novidades. Fluminense confirmando sua incapacidade de recuperar e, portanto, sua vocação atual para a série B, mesmo caminho que segue o Sport. Já Botafogo, Santo André, Náutico, Atlético-PR e Coritiba se debatem para não ficar com as outras duas vagas do descenso.

US OPEN: FEDERER, OUTRA VEZ, OU DEL POTRO?

Agora, só Del Potro poderá deter Federer no US OPEN.
Na semi-final, Del Potro venceu Nadal com autoridade, atacando com potentes golpes de direita e defendendo no estilo Nadal de jogar. O espanhol, ainda fora de sua melhor forma, acabou sendo presa fácil para um inspirado Del Potro: 3 x 0, com 6 x 2, 6 x 2 e 6 x 2.
Na outra semi-final, Federer se impôs sobre Djokovic: 3 x 0, com 7 x 6, 7 x 5 e 7 x 5. Federer sempre teve o controle do jogo. Jogou com consistência, mesmo sem dar o elevado número de "aces" de sempre, variando o jogo, não dando chances ao adversário. E, no final, fez o espetáculo, respondendo um "lobby" de Djokovic com uma rebatida de costas e entre as pernas, fazendo uma passada inesperada ante um Djokovic atônito na rede. O público reverenciou o número 1, prestes a alcançar mais uma marca inédita: seis vitórias consecutivas em um torneio do Grand Slam.
Amanhã será um jogo histórico. Quer para Federer, se conseguir o título, quer para Del Potro, se conseguir evitar a nova marca do suíço e, pela primeira vez, vencer US OPEN.

sábado, 12 de setembro de 2009

BAHIA: PENSAR EM 2010.

Agora é pensar em 2010.
Ainda que, matematicamente, o Bahia ainda possa alcançar o acesso para a série A, depois da derrota desta tarde, é evidente que, na prática, isso não vai acontecer. Não apenas pela distância de pontos do G4, como também pela instablilidade e incapacidade de recuperação que o time demonstra. Hoje foi um exemplo disso: um primeiro tempo razoável, com o jogo aparentemente sob controle e com as melhores chances de gol. Um segundo tempo desastroso: um gol da Portuguesa com menos de 20 segundos e outro ainda antes dos 10 minutos, frutos da desantenção e falha do sistema defensivo, desorientaram o Bahia. Uma breve tentativa de reação com o gol de Nadson, logo frustada com outro gol da Portuguesa, novamente em erro infantil da defesa. A partir daí foi uma banho da Portuguesa, bem postada em campo, invertendo o jogo para os lados e envolvendo um atordoado Bahia. Final, 4 x 1 e até poderia ser mais.
Nesse quadro, o que melhor faz a direção técnica e administrativa do Bahia é botar os pés no chão, conscientizar e exigir dos jogadores que, mesmo não classificando, devem eles ter o empenho e a dignidade de posicionar o Bahia numa colocação honrosa na tabela, quando nada, para cumprirem respeitosamente seus contratos e em reconhecimento ao apoio irrestrito que a torcida deu e dá ao clube, ou mesmo para se afirmarem para temporadas futuras, no Bahia ou em outros clubes.
Além disso, é preciso, desde já, pensar em 2010. É preciso não cometer o erro de anos anteriores quando, frustada a meta, desmanchava-se o elenco e começava tudo quase do zero. Há, no grupo atual, jogadores de boa qualidade, que devem ser mantidos e a direção do Bahia deve se empenhar nisso: os dois goleiros (Fernando e Marcelo), Nem, Leandro, Elton, o surpreendente Bruno Silva, Helton Luiz, Nadson e Jael. Esses, juntamente com Alisson, formariam um boa base para 2010. Base, disse eu, portanto os jogadores a serem contratados ou incorporados dos juniores do clube devem ter nível igual ou superior a esses.
Mais ainda: se não for ele, escolher um técnico com o mesmo perfil de Sérgio Guedes, isto é, um técnico que compreendeu rápido o espírito da torcida tricolor e que coloca o respeito as expectativas dela como principal foco de seu trabalho.
E, sobretudo, desde o início do ano, pensar grande: não focar só em título bahiano (o campeonato bahiano não mede nada e o Bahia já tem tantos que pode se dar ao luxo de alguns anos sem ele; se ele vier, melhor), mas, principalmente, na Copa do Brasil, essa, sim, bom parâmetro para ver o nível do time para a disputa da série B de 2010.
Como conseguir recursos para tanto, especialmente agora que, pela demora em retornar a série A, as cotas do Bahia diminuem? Não sei. Isso é problema da Diretoria. Digo sempre que deve ser requisito essencial para assumir a Direção de um clube, que tem uma torcida numerosa e com grandes expectativas, a capacidade do dirigente captar recursos. Se os dirigentes atuais não têm essa capacidade, não servem para o Bahia. Se têm, é hora de provar.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

US OPEN NA RETA FINAL

Federer e Djokovic farão uma das semi-finais do US OPEN. Ambos tiveram um pouco de dificuldade para superar seus adversários nas quartas, mas estão muito bem, mostrando consistência e variação de jogo. Acho que o vencedor dessa semi-final é o principal candidato ao título.
A outra semi-final ainda será decidida nesta quinta feira, mas vi Nadal jogar contra Monfils, pelas oitavas, e fiquei impressionado: está bem fisicamente, novamente muito concentrado, com bons golpes e, como antes, não desiste nunca. Se chegar a final, chegará com a confiança recuperada e, como sempre, será difícil batê-lo.

BRASIL 4 X 2 CHILE. E A ARGENTINA...

Um jogo muito legal! Ao contrário do que pensei, em face da classificação antecipada, o Brasil estava a fim de jogo. E o Chile, ousadamente, também entrou ofensivo. Ambos os times davam espaços para o outro jogar, especialmente porque ambos sistemas defensivos falhavam.
Mas, a movimentação e o bom passe de Daniel Alves pelo meio, junto a velocidade, habilidade e precisão de Nilmar, foram decisivos e o Brasil abriu 2 x 0 (Nilmar e Júlio Batista).
Quando o jogo parecia sobre controle total, um penalti desnecessário e Chile 2 x 1, resultado do primeiro tempo.
No segundo tempo, o Chile se empolgou, foi prá cima, empatou o jogo e o Brasil parecia se complicar, quando Felipe Melo foi expulso, em violência desnecessária.
Aí Dunga fez simples e certo nas substituições. Bielsa inventou e se deu mal, deixando o Brasil com mais espaço, mesmo quando ainda estava com menos um. Como Nilmar continuava inspiradíssimo, fez mais dois gols e, ao meu ver, mostrou que, se Robinho anda mal, não tem problema, Nilmar entra, atualmente com ampla vantagem em relação ao jogador do Manchester City.
Brilharam ainda Júlio Cesar, Luizão, Daniel Alves e, numa escala menor, Maicon. Já Adriando, André Santos e Felipe Melo ficaram devendo.
Mas, no geral, a seleção mostrou que tem opções e que, no estilo Dunga de ser, irá jogar com seriedade todos os jogos, mesmo classificado. Isso é bom!

E a Argentina, hein! Um bando de jogadores em campo, sem qualquer organização. Nem os mais experientes, como Veron e Zanetti, tinham mais paciência para jogar e, com tentativas isoladas, Messi nada podia fazer. De técnico Maradona não tem nada. Será uma pena se a Argentina restar de fora da Copa.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

DUNGA

De técnico contestado e até vaiado a técnico reconhecido e aplaudido. É a trajetória de Dunga, na seleção brasileira, que dirige desde o final de 2006.
No início, muita desconfiança, procedente aliás, uma vez que ele nunca treinara qualquer equipe. Depois, alguns resultados ruins nas eliminatórias para a Copa do Mundo e um futebol pobre. As vaias foram inevitáveis. Balançou, mas não caiu. Ao contrário, superou as dificuldades, soube fazer prevalecer suas idéias e, após a conquista da Copa América, da Copa das Confederações e da classificação antecipada para a Copa do Mundo de 2010, é figura não mais contestada e tem-se como certo que continuará dirigindo a seleção até a Copa.
Seria exagero dizer que ele já é um grande técnico. Menos. Entretanto, não se pode negar que ele é coerente em seus pensamentos e atitudes e teve a virtude de saber convencer os dirigentes e jogadores do seu projeto.
Num período de poucas revelações jovens, soube escolher, entre aqueles que já frequentavam a seleção, os que realmente estavam (e estão) em forma física e técnica que justifique vestir a camisa amarela. Seleção é presente, não se deve convocar e escalar com olho no passado, nem no futuro.
Com esse raciocínio, mostrou força para barrar Ronaldinho e optar por um futebol eficiente – no estilo Kaká – a um futebol espetáculo. E fez o simples, sem inventar, cada um jogando na função que sabe exercer, alguns até múltiplas funções, como Daniel Alves, que já jogou de ala direita, de meia e até de ala esquerda. Descobriu Felipe Melo, apostou em Elano, consolidou Luis Fabiano como o homem-gol da seleção, ele que já demonstrara isso em todos os clubes que passou (pergunto-me por que ele não estava lá em 2006?).
Sobretudo, Dunga mudou os treinos da seleção, não significamente do ponto de vista tático ou técnico, mas do ponto de vista da seriedade. Os treinos deixaram de ser espetáculos de malabarismo dos jogadores mais habilidosos, espetáculo para os patrocinadores e para a televisão. Passaram a ser momentos de trabalho e aperfeiçoamento.
Pessoalmente, penso que a seleção precisa ainda de alguns retoques: a lateral esquerda ainda é uma posição sem dono; Gilberto Silva deveria dar lugar a um outro com mais mobilidade e melhor passe; Robinho tem jogado muito mal e já é hora de se procurar um substituto para ele, caso não se recupere no Manchester City e na seleção.
É inevitável dizer que o Brasil continua como um dos favoritos para vencer a Copa de 2010 e o trabalho de Dunga, aliado ao pouco futebol que se vê nas demais seleções, credenciam tal favoritismo.
Por isso e pelo trabalho que já tem feito, pode sorrir um pouco mais Dunga, faz bem para alma, adoça a vida!.

domingo, 6 de setembro de 2009

A DISPUTA PELO TÍTULO

Tudo indica que, desde que o campeonato brasileiro começou a ser disputado por pontos corridos, em 2003, o título deste ano será o mais disputado. Três clubes, Palmeiras, Internacional e São Paulo, nesta ordem, travam uma bela corrida pelo título. E o melhor: os três times estão em fase ascendente.
O Palmeiras está na liderança há algumas rodadas, mostra consistência e deve melhorar ainda mais sua produção ofensiva com Wagner Love.
O Internacional recuperou seu bom futebol, já superou a saída de Nilmar e a perda da Copa do Brasil. Está jogando bonito, é dos tres o que tem melhor toque de bola, e mostra sua força e superação em momentos delicados, como o de hoje no jogo contra o Avaí, quando venceu, mesmo jogando mais da metade do jogo com um jogador a menos.
O São Paulo impõe respeito e mesmo jogando contra um time forte como o Cruzeiro, no Mineirão, e saindo perdendo, descobre caminhos que o levam a vitória. Não se pode subestimar o São Paulo, pois o seu elenco, cuja base é praticamente a mesma dos últimos anos, parece destinado a ganhar títulos.
Vai ser bacana, se o campeonato só for decidido mesmo na penúltima ou última rodada.
Já na parte de baixo a tabela, o Fluminense me parece que hoje, com o empate com o Náutico, no Maracanã, consolidou sua incapacidade de recuperar-se no campeonato e, o ano que vem, deve figurar na série B. Penso que será uma boa oportunidade para o Flu ser repensado e reorganizar-se, como fizeram o Grêmio e o Corinthians.

O ESPORTE NO SÁBADO: OS JOGOS DO BAHIA E VITORIA E DA SELEÇÃO. E FEDERER.

Um sábado de muito esporte!

O primeiro a entrar em campo foi o Bahia. E fracassou. Começou com um bom posicionamento em campo, mas com pouca criação no ataque e falhava na marcação pelos lados, especialmente o esquerdo. Por ali, o Ceará marcou duas vezes no primeiro tempo. No segundo tempo, o tricolor melhorou, empolgou-se com o gol de Nadson logo no início e chegou a ter chance de empate. Mas o Ceará se segurou bem, embora sem levar os mesmos lances de perigo ao gol do Bahia que no primeiro tempo. No final, Ceará 2 x 1, mantendo o quarto lugar na classificação, com aproveitamento de mais de 60%.
Projetado o aproveitamento do Ceará para o final do campeonato, seriam precisos 69 pontos para garantir o acesso, o que seria um recorde e praticamente anularia as chances do Bahia. É preciso torcer por uma queda dos times que estão na frente, mas, seguramente, este ano exigirá maior número de pontos para o acesso do que todos os anos anteriores em que o campeonato da série B passou a ser disputado por pontos corridos.
De quebra, para o próximo jogo, o Bahia perdeu Jael, expulso, com justiça, ao cometer uma falta desnecessária e violenta. Fará falta contra a Portugesa, em Pituaçu, quando o Bahia não pode sequer pensar em empate.

Logo depois, jogou o Vitória. E muito bem. Segurou o Grêmio, foi-se impondo, e o esperto Neto Berola aproveitou bem a falha da defesa gaúcha: 1 x 0. No início do segundo tempo, o Vitória jogou em grande velocidade e teve duas chances de matar o jogo. Mas, a trave não deixou. Depois, recuou demais, especialmente após a expulsão de Magal, o que permitiu uma pressão intensa do Grêmio, que resultou no empate, já passando dos 40 minutos. E, minutos depois, o Grêmio ainda teve outra chance aguda. Final, 1 x 1.
Analisando o curso do jogo, o resultado do Vitória poderia ser melhor, mas, considerando a eficiência do Grêmio em seu estádio, o empate foi um bom resultado. E a visível melhora no futebol jogado pelo rubro-negro dá ao grupo mais confiança para enfrentar Palmeiras e Internacional, jogos que, mesmo no Barradão, serão durissimos, já que esses times disputam, corpo a corpo, a liderança do Brasileirão.

Depois, foi a vez da seleção brasileira. Um dos jogos mais fáceis que já jogou contra a Argentina, um time sem entrosamento, sem jogadas pelos lados do campo, sem seu tradicional toque de bola, tentando apenas sobreviver a custa de um lance genial de Messi, Véron ou Aguero. Contra um adversário assim, bastou ao Brasil marcar bem e ficar atento para as falhas das fraca defesa argentina. Dessa maneira chegou fácil aos 2 x 0. No segundo tempo, quando a Argentina apertou mais e Dátolo diminuiu em um belo gol de fora da área, o Brasil mostrou um pouco de seu talento, num lançamento perfeito de Kaká para Luis Fabiano, que, com a maestria que sempre demonstra nas conclusões, tirou a bola do alcance do goleiro: Brasil 3 x 1, classificado para a Copa. Só a lamentar que venha fazer o jogo na Bahia já com o espírito de amistoso e sem quatro titulares suspensos.

Antes de todos esses jogos, foi bonito ver Federer contra Hewitt no US Open. Hewitt jogando muito, fazendo tudo que sabe para, ao final, perder de Federer, como sempre. Já Federer, jogou apenas razoávelmente, com altos e baixos, para, no final, ganhar de Hewitt, como sempre. É que o razoável de Federer, em regra, basta para ele vencer a maioria dos jogadores atuais. Com essa vitória, mesmo que não vença o US Open, Federer garante continuar como n. 1 do ranking. E, como eu já havia antecipado, também nesse torneio de Grand Slam pintou uma surpresa: Roddick, um dos meus favoritos ao título, foi a vítima, eliminado precocemente, após uma longa batalha contra o pouco conhecido John Isner.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

AS ARBITRAGENS BRASILEIRAS

Assisti ontem, na TV, Corinthians x Santos. Jogo movimentado, apitado por um dos árbitros tidos como emergentes (não lembro o nome). Ele, é verdade, não cometeu erros que interferissem no resultado do jogo, mas percebia-se – e assim criticava o comentarista da Globo – vísivel nervosismo e inexperiência. Em determinado momento, quase perde o controle do jogo, dada a pressão que os jogadores fizeram a ele, questionando acintosamente as marcações.
Pensei logo no fato que está se tornando costumeiro em cada rodada do campeonato brasileiro, seja da série A, seja da série B: a arbitragem de má qualidade, com erros graves que influenciam no resultado das partidas.
De logo, quero ressaltar que entendo a falibilidade humana e a dificuldade que o árbitro tem de decidir em segundos. Os comentaristas, ao inverso, vêem e revêem os lances e, confortavelmente, decretam o acerto ou erro do árbitro.
Mas, é inegável que os árbitros brasileiros têm errado demais.
Não sou adepto também a recorrer-se a recursos eletrônicos sofisticados para que a decisão do árbitro aconteça. O encanto do futebol está justamente na imprevisibilidade: no lance genial e imprevisível do craque, no “frango” inesperado do goleiro, no chute improvável e certeiro no último minuto, nas tentativas incertas dos jogadores e até... no erro do árbitro. A imprevisibilidade é que garante a emoção de um jogo de futebol.
Isso, porém, não autoriza os erros cada vez mais frequentes dos árbitros brasileiros, pois, das imprevisibilidades do futebol, essa é a que menos se quer, pode-se até dizer, a que é difícil tolerar.
Algo a que ser feito, portanto, para a melhoria das arbitragens no Brasil: treinamentos mais rigorosos, punições e, ao meu ver e principalmente, a definição de critérios uniformes de arbitrar um jogo.
Quando assisto, pela TV, os jogos do campeonato inglês, percebo nitidamente um estilo único de apitar, critérios bem definidos e seguidos por todos os juízes ingleses. O contato corporal, por exemplo, a disputa com o uso do corpo, é plenamente tolerada. A falta só é marcada se o jogador usa o corpo com o intuito deliberado de derrubar o outro e assim levar vantagem no lance. Não sendo assim, o jogo segue. Por isso, os jogadores não se atiram no chão a cada encostada do marcador, não desistem da jogada para tentar uma simulação.
De outro lado, da parte dos jogadores e técnicos, reclamação moderada e sem tocar no juiz. Recentemente, vi o técnico do Arsenal ser expulso por uma reclamação grosseira que fez, para os padrões britânicos: chutou o ar ou um copinho d’água no chão.
No Brasil, falta um padrão de arbitragem: um juiz opta por apitar como falta qualquer disputa corporal, qualquer encostada do marcador e, por isso, o oponente marcado já se atira imediatamente no chão. Aí o próprio árbitro se complica, pois, se marca qualquer encontrão, dentro da área também terá que fazê-lo e assinalar o penalti, Mas, não o faz, pois, em face da gravidade da penalidade dentro da área, ele ali, em regra, é mais flexível. E se contradiz.
Já outros árbitros, tentam deixar o jogo fluir, sem tomar como falta algumas disputas corporais, mas, tidos como permissivo pelos jogadores, acabam perdendo o controle do jogo e, para não ficarem desmoralizados perante aqueles, optam por voltar a marcar, como falta, qualquer encontrão.
O que quero acentuar aqui é que, hoje em dia, qualquer um que vá assistir a um jogo de futebol no Brasil, vai com uma interrogação e receio: como será a arbitragem? Qual o critério e estilo que aquele determinado árbitro usará? Qual sua postura quanto a disciplina?
Volto a dizer: erros acontecem e até em Copas do Mundo já vimos erros grosseiros que decidiram jogos e, até mesmo, o título. Mas, isso deve ser a exceção. Não a regra, como tem acontecido no Brasil, a cada rodada.
Os senhores responsáveis pelas arbitragens – CBF e Federações Estaduais – precisam, imediatamente, ter essa melhoria de qualidade como uma prioridade, como uma meta a ser perseguida e alcançada a curto prazo, para que não resulte em questionamentos sobre a lisura dos campeonatos.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A SELEÇÃO E OS TORCEDORES DOS CLUBES BRASILEIROS

Li hoje, em jornal desta cidade, que as torcidas organizadas de Bahia e Vitória não demonstram interesse pelo jogo da seleção. Estão focadas apenas nos jogos dos seus clubes de coração.
De igual modo, vários colegas ou conhecidos com quem conversei nos últimos dias e que são freqüentadores habituais dos estádios, nos jogos dos seus clubes, revelaram pouca atenção com o jogo da seleção. Também preferem os jogos do Bahia ou do Vitória. Assistirão a seleção pela TV e, alguns confessaram, com muito mais interesse em Brasil x Argentina do que em Brasil x Chile.
Contrastando com essas posições, têm-se o fato da venda dos ingressos para o jogo em Salvador ter alcançado pleno êxito, esgotando em poucas horas a quantidade disponibilizada ao público.
Um dos amigos a que referi acima, porém, me chamou a atenção que o público que adquiriu os ingressos (ao menos foi o que se viu nas filas) foi um público adolescente, ou um público-familia, aparentemente um público que não freqüenta costumeiramente os estádios e vê, no jogo da seleção, uma forma bacana de participar de uma festa esportiva.
Se assim foi, remeto-me imediatamente a uma reflexão: por que a seleção brasileira, hoje em dia, não mais atrai aqueles torcedores habituais dos clubes, aqueles que, chova ou faça sol, estão nos estádios a torcer por Bahia, Vitória e outros times brasileiros?
Parece-me que a resposta está no distanciamento entre a seleção, os jogadores que a compõem, e o público brasileiro.
A grande maioria dos jogadores – Kaká, Luis Fabiano, Julio Cesar, Daniel etc. – são ídolos? São, mas do Milan, do Real Madri, do Sevilha, da Internazionale, do Barcelona e assim por diante, e não ídolos de clubes brasileiros. Foi-se o tempo em que a seleção brasileira representava efetivamente o futebol que se joga no Brasil. A seleção, embora composta de brasileiros, espelha hoje o futebol de brasileiros na Europa, isto é, os campeonatos e grandes clássicos lá disputados. A eles temos acesso apenas pela TV, não no dia a dia dos nossos campeonatos.
Anos atrás, a seleção era a expressão real do melhor futebol jogado no Brasil. Os jogadores do Santos, Botafogo, Palmeiras, Flamengo, Vasco, Cruzeiro e de alguns outros clubes, compunham a base da seleção. Dava gosto ir ao estádio e ver o jogador de seu time com a camisa da seleção.
É saudosismo em tempo de globalização? Um pouco, talvez, mas não tenho dúvida que a seleção significava muito mais para quem acompanhava o futebol no dia a dia e, quem sabe, até os próprios jogadores a valorizavam mais.
A sensação que sinto hoje é que a seleção brasileira quando joga no Brasil é uma seleção de visitantes que aqui vêm, fazem um ou dois jogos e retornam aos seus clubes europeus. E os números mostram que a seleção, nos últimos anos, inclusive amistosos, jogou muito mais no exterior que no Brasil. Assim, não é fácil criar a identificação com as torcidas dos clubes nacionais, por mais nacionalistas e ufanistas que sejam os brasileiros.
Mas, tomara que o jogo aqui seja uma festa mesmo, com grande exibição e tudo mais, pois a Bahia merece, visto que há um bom tempo que a seleção não aparece por aqui e um público jovem está ansioso por ver em campo, pela primeira vez, o time da camisa amarela, penta campeão do mundo.