O ano começa e as expectativas em torno do Bahia são grandes. Parece-me ser um ano realmente decisivo, em que o Bahia ou mostrará o seu efetivo poder de recuperação ou se consolidará como clube pequeno, no plano nacional.Até o final dos anos 80, do século passado, era possível a um clube de futebol obter algum êxito, ainda que com uma gestão personalista, amadora e com improvisações. Naquele período e com uma administração assim, o Bahia se deu bem e até conquistou um título do Brasileiro, além de, 20 anos antes, uma Taça Brasil. Além de inúmeros e sucessivos títulos estaduais. Conquistas, portanto, que destacavam o clube no cenário nacional e permitiam antecipar um fortalecimento futuro.
Entretanto, não foi o que aconteceu.
A partir dos anos 90, o futebol, mais que nunca, foi inserido na indústria do entretenimento e passou a movimentar quantias vultuosas, com ousadas estratégias de marketing e negócios, estimulados pela rica Europa, que inflacionou consideravelmente o mercado da bola.
Esse novo cenário passou a exigir dos clubes gestão profissional, planejamento, capacidade de captar recursos, enfim, uma estrutura administrativa e processos decisórios de uma empresa de grande porte.
O Bahia não acompanhou essa realidade. Continuou com gestão personalista, com dirigentes improvisados e sem especialização nos negócios do esporte, além de absoluta incapacidade de transmitir credibilidade para captar investidores. Sem falar da total falta de transparência.
A consequência inevitável, também agravada pelo atual modelo de organização do futebol brasileiro, foi o Bahia passar para um plano inferior no futebol nacional e também no futebol bahiano, onde reinou desde 1931, e cedeu a hegemonia que tinha para o Vitória.
Os últimos 15 anos contam bem essa história. De 1995 para cá, o Bahia teve dois rebaixamentos para a série B (1997 e 2003), um rebaixamento para a série C (2005) e venceu apenas os campeonatos bahianos de 1998, 1999 (este dividido com o Vitória, após desastrada manobra da diretoria tricolor) e 2001. E, como destaques maiores, apenas a conquista da Copa Nordeste de 2001 e 2002 e o acesso, em 2007, da série C para B (se é que isso pode se considerar destaque).
Ou seja, o Bahia há 7 anos não disputa a série A do campeonato brasileiro e há 8 anos não vence o campeonato bahiano. Está, assim, em um patamar bem mais baixo que 20 anos atrás. É um clube apequenado. Grandiosos permanecem somente o seu hino, sua torcida e sua história.
É imperioso, pois, reerguer-se já. Não há mais tempo para espera, pois a dinâmica do futebol e dos negócios hoje em dia é cruel: quem não se organiza e cresce permanentemente está destinado ao fracasso, às divisões inferiores, ao esquecimento.
Infelizmente, não se enxerga ainda, no Bahia de hoje, uma administração organizada, uma mobilização eficiente para estruturar, planejar e captar recursos para o clube, que possibilite, de forma sustentada, assegurar seu crescimento, seu retorno aos melhores dias.
Contratou um técnico de expressão nacional, embora polêmico (Renato Gaúcho) e parece depender dele para conseguir jogadores (ainda que de média qualidade técnica) e recursos. A direção do clube - e não o técnico que a ela esta subordinada - é que deve mostrar capacitação e os predicados que o Bahia precisa para voltar a crescer. Não apenas o técnico, que, inevitavelmente, terá sua permanência vinculada diretamente a resultados imediatos.
Estou observando e torcendo, pois o futebol às vezes surpreende, positiva e negativamente. Espero que, mesmo sem gestão e estrutura adequadas, o Bahia consiga, em 2010, se impor no bahiano e na série B, para, a partir daí, tentar consolidar sua recuperação. Se fracassar mais um ano, seguramente irá aprofundar sua crise e longa agonia, mantendo-se, no plano nacional, como um clube menor e decadente.
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