terça-feira, 8 de setembro de 2009

DUNGA

De técnico contestado e até vaiado a técnico reconhecido e aplaudido. É a trajetória de Dunga, na seleção brasileira, que dirige desde o final de 2006.
No início, muita desconfiança, procedente aliás, uma vez que ele nunca treinara qualquer equipe. Depois, alguns resultados ruins nas eliminatórias para a Copa do Mundo e um futebol pobre. As vaias foram inevitáveis. Balançou, mas não caiu. Ao contrário, superou as dificuldades, soube fazer prevalecer suas idéias e, após a conquista da Copa América, da Copa das Confederações e da classificação antecipada para a Copa do Mundo de 2010, é figura não mais contestada e tem-se como certo que continuará dirigindo a seleção até a Copa.
Seria exagero dizer que ele já é um grande técnico. Menos. Entretanto, não se pode negar que ele é coerente em seus pensamentos e atitudes e teve a virtude de saber convencer os dirigentes e jogadores do seu projeto.
Num período de poucas revelações jovens, soube escolher, entre aqueles que já frequentavam a seleção, os que realmente estavam (e estão) em forma física e técnica que justifique vestir a camisa amarela. Seleção é presente, não se deve convocar e escalar com olho no passado, nem no futuro.
Com esse raciocínio, mostrou força para barrar Ronaldinho e optar por um futebol eficiente – no estilo Kaká – a um futebol espetáculo. E fez o simples, sem inventar, cada um jogando na função que sabe exercer, alguns até múltiplas funções, como Daniel Alves, que já jogou de ala direita, de meia e até de ala esquerda. Descobriu Felipe Melo, apostou em Elano, consolidou Luis Fabiano como o homem-gol da seleção, ele que já demonstrara isso em todos os clubes que passou (pergunto-me por que ele não estava lá em 2006?).
Sobretudo, Dunga mudou os treinos da seleção, não significamente do ponto de vista tático ou técnico, mas do ponto de vista da seriedade. Os treinos deixaram de ser espetáculos de malabarismo dos jogadores mais habilidosos, espetáculo para os patrocinadores e para a televisão. Passaram a ser momentos de trabalho e aperfeiçoamento.
Pessoalmente, penso que a seleção precisa ainda de alguns retoques: a lateral esquerda ainda é uma posição sem dono; Gilberto Silva deveria dar lugar a um outro com mais mobilidade e melhor passe; Robinho tem jogado muito mal e já é hora de se procurar um substituto para ele, caso não se recupere no Manchester City e na seleção.
É inevitável dizer que o Brasil continua como um dos favoritos para vencer a Copa de 2010 e o trabalho de Dunga, aliado ao pouco futebol que se vê nas demais seleções, credenciam tal favoritismo.
Por isso e pelo trabalho que já tem feito, pode sorrir um pouco mais Dunga, faz bem para alma, adoça a vida!.

Um comentário:

  1. Caro Celso,

    Análise Fantástica. Parabéns. Mesmo sem ser fanático por futebol ( meu negócio sempre foi esporte de quadra) seu blog, indicado por Ricardo, ja está listado dentre os meus favoritos. Visitarei todos os dias. Por que não outro blog com poesias e músicas? Desde aquelas do tempo do Dois de Julho?

    Forte abraço
    André Carvalho.

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