quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A SELEÇÃO E OS TORCEDORES DOS CLUBES BRASILEIROS

Li hoje, em jornal desta cidade, que as torcidas organizadas de Bahia e Vitória não demonstram interesse pelo jogo da seleção. Estão focadas apenas nos jogos dos seus clubes de coração.
De igual modo, vários colegas ou conhecidos com quem conversei nos últimos dias e que são freqüentadores habituais dos estádios, nos jogos dos seus clubes, revelaram pouca atenção com o jogo da seleção. Também preferem os jogos do Bahia ou do Vitória. Assistirão a seleção pela TV e, alguns confessaram, com muito mais interesse em Brasil x Argentina do que em Brasil x Chile.
Contrastando com essas posições, têm-se o fato da venda dos ingressos para o jogo em Salvador ter alcançado pleno êxito, esgotando em poucas horas a quantidade disponibilizada ao público.
Um dos amigos a que referi acima, porém, me chamou a atenção que o público que adquiriu os ingressos (ao menos foi o que se viu nas filas) foi um público adolescente, ou um público-familia, aparentemente um público que não freqüenta costumeiramente os estádios e vê, no jogo da seleção, uma forma bacana de participar de uma festa esportiva.
Se assim foi, remeto-me imediatamente a uma reflexão: por que a seleção brasileira, hoje em dia, não mais atrai aqueles torcedores habituais dos clubes, aqueles que, chova ou faça sol, estão nos estádios a torcer por Bahia, Vitória e outros times brasileiros?
Parece-me que a resposta está no distanciamento entre a seleção, os jogadores que a compõem, e o público brasileiro.
A grande maioria dos jogadores – Kaká, Luis Fabiano, Julio Cesar, Daniel etc. – são ídolos? São, mas do Milan, do Real Madri, do Sevilha, da Internazionale, do Barcelona e assim por diante, e não ídolos de clubes brasileiros. Foi-se o tempo em que a seleção brasileira representava efetivamente o futebol que se joga no Brasil. A seleção, embora composta de brasileiros, espelha hoje o futebol de brasileiros na Europa, isto é, os campeonatos e grandes clássicos lá disputados. A eles temos acesso apenas pela TV, não no dia a dia dos nossos campeonatos.
Anos atrás, a seleção era a expressão real do melhor futebol jogado no Brasil. Os jogadores do Santos, Botafogo, Palmeiras, Flamengo, Vasco, Cruzeiro e de alguns outros clubes, compunham a base da seleção. Dava gosto ir ao estádio e ver o jogador de seu time com a camisa da seleção.
É saudosismo em tempo de globalização? Um pouco, talvez, mas não tenho dúvida que a seleção significava muito mais para quem acompanhava o futebol no dia a dia e, quem sabe, até os próprios jogadores a valorizavam mais.
A sensação que sinto hoje é que a seleção brasileira quando joga no Brasil é uma seleção de visitantes que aqui vêm, fazem um ou dois jogos e retornam aos seus clubes europeus. E os números mostram que a seleção, nos últimos anos, inclusive amistosos, jogou muito mais no exterior que no Brasil. Assim, não é fácil criar a identificação com as torcidas dos clubes nacionais, por mais nacionalistas e ufanistas que sejam os brasileiros.
Mas, tomara que o jogo aqui seja uma festa mesmo, com grande exibição e tudo mais, pois a Bahia merece, visto que há um bom tempo que a seleção não aparece por aqui e um público jovem está ansioso por ver em campo, pela primeira vez, o time da camisa amarela, penta campeão do mundo.

2 comentários:

  1. Celso,

    Perfeito seu comentário. Eu me incluo entre aqueles que perdeu o estímulo pela seleção a partir do momento em que passou a ser uma "seleção de estrangeiros". Alguns jogadores inclusive são ilustres desconhecidos do público, perderam completamente a identidade com o Brasil. De vez em quando aparece um tal de Afonso (acho que o nome é esse), de que a granda maioria dos nossos torcedores jamais ouvira falar. É o caso inclusive de Felipe Melo e do próprio Daniel Alves, que daqui saíram muito jovens, sem jamais ter passado por nenhum clube grande do Sul.
    Não acho que seja saudosismo. Infelizmente o nosso futebol hoje é administrado de uma forma totalmente equivocada, fazendo com que nossos clubes vivam permanentemente de cuia na mão. O êxodo dos craques é exatamente pela falta de condições econômicas para bancar os seus salários indecentes; além disto, a Lei Pelé criou a triste figura do empresário do jogador, elemento parasita que vive aliciando garotos das divisões de base, que depois terão seus passes fatiados entre grupos de investidores, cujo único interesse é ganhar dinheiro com os mesmos. Dane-se o futebol!
    Lamentavelmente, acho que estão matando uma grande galinha de ovos de ouro. Nossos netos verão a consequência de tudo isto.
    Um abraço,

    Carlinhos

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  2. Com Seleçao de estrangeiros ou nao, EU estarei la em PITUAÇO!!! Torcendo como sempre fiz pelo meu time!! Mas relamente a ida de nossos jogadores para Europa muito jovens, acaba diminuindo o encantamento pela seleçao! Mas eu tento fazer meu papel, que é de torcer e motivar sempre, ganhando ou perdendo eu estou no estadio...
    Abraço

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